segunda-feira, 17 de abril de 2017

“O que diz a Igreja a tantas tragédias?” Homilia do Papa Francisco (tradução completa)

 “O que diz a Igreja a tantas tragédias? ” perguntou o Papa Francisco durante a homilia da missa de Páscoa em Praça de São Pedro, na presença de cerca de 60 000 pessoas, domingo, 16 de abril, 2017. Ele convidou a apostar em Cristo ressuscitado.
Na homilia improvisada, ele enfrentou o tema do contraste entre a boa notícia da ressurreição de Cristo e as aflições que a humanidade e todos continuam a atravessar.
“O que diz a Igreja a tantas tragédias? ” perguntou o Papa: “Ela disse simplesmente isto: a pedra rejeitada não foi realmente excluída. As pequenas pedras que acreditam e apegar-se que a pedra não são rejeitados, eles têm significado, e, com esse sentimento, a Igreja repete do fundo de seu coração: “Cristo ressuscitou!”
E, disse o Papa Francis: “É o mistério da pedra rejeitada que acaba por ser o fundamento da nossa existência.”
Durante a missa, a congregação orou para o papa e para o mundo  – em diferentes idiomas: hebraico, italiano, Inglês, húngaro e chinês – e especialmente para Bento VI porque era seu aniversário de 90 anos, e para a unidade dos cristãos que celebram a Páscoa na mesma data este ano.
Após a missa, o Papa Francis cumprimentou os cardeais e ele fez uma turnê da Praça de São Pedro para saudar os presentes. Os aplausos e ovações lhe respondeu.
Ao meio-dia, ele subiu para a loggia da bênção da Basílica Vaticana para a sua mensagem de Páscoa e Urbi et Orbi.

AB
Homilia do Papa Francisco
Hoje, a Igreja repete, canta e grita: “Jesus ressuscitou!” Mas como? Pedro, João, as mulheres foram ao sepulcro, mas estava vazio, ele não estava lá.

domingo, 16 de abril de 2017

Horror: Inglaterra condena à morte um bebê inocente de 8 meses de idade.

A “justiça” da Inglaterra, entre aspas e com minúsculas por questão de Justiça, autorizou o assassinato forçado de um bebê de 8 meses de idade, atropelando monstruosamente até mesmo a vontade dos próprios pais da criança condenada à morte.
O pequeno Charlie Gard sofre de uma doença mitocondrial rara, que provoca o enfraquecimento dos seus músculos e sérios danos cerebrais. Ele recebe suporte vital no Hospital Great Ormond Street, de Londres, mas os médicos “decidiram”, contra a vontade dos pais do bebê, que os aparelhos deverão ser desconectados para “evitar um sofrimento inútil”.
Os pais de Charlie, Chris Gard e Connie Yates, pretendiam levar o filho aos Estados Unidos para um tratamento experimental e, decididos a dar a ele todas as chances possíveis de vida e cura, por mínimas que fossem, rejeitaram terminantemente a “sugestão” assassina dos médicos.
O caso foi parar na “justiça”, entre aspas e com minúscula. Muito, muito minúscula.
Durante o processo, uma das médicas declarou que a criança já não ouve nem se mexe e está “sofrendo desnecessariamente”.
Charlie tinha nascido saudável, em agosto de 2016, mas, aos dois meses, foi internado com pneumonia por aspiração e seu quadro piorou muito rapidamente. Os pais iniciaram uma campanha de arrecadação de donativos para levar o bebê aos Estados Unidos. Graças à solidariedade concreta de mais de 80.000 pessoas, eles angariaram 1,2 milhão de libras (mais de 4,5 milhões de reais).

A cabana. Uma reflexão à luz da fé católica sobre o livro que pode iluminar quem vai ver o filme.

Estamos publicando a análise para nos ajudar a:

– Perceber nas entrelinhas do livro, ou em outros que venhamos a ler, a ideologia de esvaziamento de pontos essenciais de nossa fé católica;
– Ajudar-nos a perceber nossa atitude diante daquilo que lemos, principalmente em obras de cunho religioso ou “autoajuda”, que adentram na dimensão espiritual/espiritualista que interessa a nós católicos;
– Ajudar-nos a despertar o senso critico – não neurótico, mas atento – para filtrar à luz de nossa fé aquilo que vale a pena ler ou não. A oferta hoje é tamanha que exige critérios para não perder tempo, nem dinheiro, com aquilo que nada acrescenta de consistente à nossa fé ou a nossa vida;
Impressiona a Incapacidade que muitos tem de não perceber, dentro daquilo que estão lendo, onde tem verdade ou não. Alguns não conseguem ver nada errado onde qualquer olhar mais atento percebe tudo!
A proposta não é analisar todo o livro mas apenas algumas partes na esperança que possa despertar naqueles que ainda vão ler, se tiverem “estômago”, uma nova percepção e naqueles que já leram uma confirmação daquilo que provavelmente haviam percebido.
Desnecessário se faz dizer que a análise foi feita a partir da fé católica, o que poderá tornar algumas colocações não muito claras para quem não está razoavelmente por dentro da doutrina básica de nossa fé.
Partindo dessa análise feita do livro, é possível assistir o filme sobre uma outra perspectiva, mais critica e menos ingênua.
Católico pode ver o filme? claro que sim. O que não pode é ser Teologicamente ingênuo.


” A cabana”- análise do livro sob ótica católica.
  1. O livro é muito bem escrito e atraente no seu enredo simples, no assunto e no estilo. A linguagem, porém, com algumas citações bíblicas feitas de formas indiretas, traz uma profusão de sofismas capaz de iludir o leitor menos atento. (lembro que a “metodologia” do sofisma, muito utilizado na filosofia grega antiga, consiste em tomar uma verdade ou duas verdades e combiná-la com uma ou mais inverdade de formas que tudo pareça verdadeiro ou que tudo pareça falso, de acordo com o objetivo de quem sofisma). O livro traz em seu próprio enredo incoerências entre a trama e o que é dito pelas “pessoas” da “trindade”.
  2. a editora do mesmo (e isso é muito importante ao comprar ou ler um livro dedica-se a livros de auto-ajuda ou assuntos não comprovados nem pelo próprio livro nem pela ciência, teologia e, por vezes, o bom-senso). É bastante ler a lista dos seus “clássicos”, na ultima página do livro. A exceção é O Monge e o Executivo.
O livro conta a história de um homem que, em um acampamento nas montanhas com os filhos tem sua caçula seqüestrada e morta enquanto está sob a água, tentando salvar um outro filho, que se afogava sob um bote. Após quatro anos de tristeza e desilusão, recebe uma carta de Deus, que se apresenta como Papai convidando-o a voltar à cabana onde o crime contra sua filha havia sido cometido. Relutante, aceitou.
Até aqui, nada anormal. A ficção, afinal, dá direito a todo tipo de imaginação. O inadequado começa quando este homem, Mack, encontra a “trindade” na cabana. Naturalmente, como autor, Young goza o direito de utilizar sua imaginação, sua bela linguagem, suas descrições do Pai como uma senhora negra que cozinha, o Filho como um judeu cujo nariz enorme o deixa feio e o Espírito como uma moça asiática feita de luz.
Ele tem o direito, sim, de imaginar a trindade como um autor leigo ignorante da boa teologia e eclesiologia e influenciado pela Nova Era, pelo Espiritismo e pelo Relativismo. Nós é que temos o dever de distinguir o que é bom do que não é. A narrativa é tão envolvente, que os deslizes de Young quanto à fé, a eclesiologia e a moral podem passar desapercebidos para a pessoa mais bem formada. 

Os 90 anos de Bento XVI segundo o Arcebispo George Gänswein

Cidade do Vaticano (RV) – Neste 16 de abril, Domingo de Páscoa, Joseph Ratzinger completa 90 anos. Os festejos foram transferidos para a Segunda-feira do Anjo (feriado no Vaticano e na Itália) e serão reservados e simples. No Mosteiro Mater Ecclesiae, nos Jardins Vaticanos, estará presente uma pequena delegação da Baviera. Na tarde da última quarta-feira, o Papa Francisco felicitou pessoalmente o Papa emérito.
Para a ocasião, a Rádio alemã Horeb entrevistou o Prefeito da Casa Pontifícia, o Arcebispo George Gänswein, que acompanha muito de perto Bento XVI:
“A vida no Mosteiro é muito organizada. Não é um mistério para ninguém que o Papa Bento ame a ordem. O desenvolvimento de seu dia é muito estruturado, muito claro e isto ajuda também que seja bem vivido. Uma das afirmações do Papa Bento, ao final de seu Pontificado, foi de que não se retiraria “á vida privada”, portanto, para fazer aquilo que lhe agradaria fazer, mas que “subiria ao monte” – uma imagem que evoca Moisés, que se retirou para rezar – segundo as suas forças e as suas convicções e as suas capacidades – pelo sucessor, pela Igreja e pelo mundo. E justamente isto é o que faz. Em sua vida tem oração, estudo, visitas, ouve música, a Missa, passeios, meditações, repouso e a preparação também para o encontro com o Senhor. Vejo que Bento vive muito serenamente esta sua decisão”.

Papa: "em meio aos problemas da vida, repitam: Cristo ressuscitou"

Na Missa presidida na Praça São Pedro neste Domingo de Páscoa, o Papa Francisco exortou os fiéis a repetirem em casa: “Cristo ressuscitou!, mesmo diante dos problemas da vida”.
“O caminho em direção ao sepulcro é a derrota, é o caminho da derrota”, disse o Papa, falando de forma espontânea. E remetendo-se à cena de Pedro, João e as mulheres diante do sepulcro vazio, observou que foram com o coração fechado pela tristeza de uma derrota, o Mestre, o seu Mestre, aquele que tanto amavam, foi derrotado.
“Mas o Anjo disse a eles: ‘não está aqui, ressuscitou!’. É o primeiro anúncio, ressuscitou! E depois a confusão, o coração fechado, as aparições”, completou Francisco, dizendo ainda que diante das derrotas, dos corações amedrontados, fechados, a Igreja não cessa em repetir: “Pare! O Senhor ressuscitou!”.
 “Mas se o Senhor ressuscitou, como acontecem estas coisas? Como acontecem tantas desgraças doenças, tráfico de pessoas, guerras, destruições, mutilações, vinganças, ódio? Onde está o Senhor?”, questiona-se Francisco.
O Papa ilustra esta dúvida que percorre o coração de tantos de nós em meio aos desafios da vida, contando o telefonema a um jovem italiano na tarde de sábado, acometido de uma doença grave, para dar um sinal de fé.
“Um jovem culto, um engenheiro. Disse a ele: ‘Não existem explicações para aquilo que acontece contigo. Olhe para Jesus na Cruz. Deus fez isto com o seu Filho e não existe outra explicação!’. E ele me respondeu: ‘Sim! Mas perguntou ao Filho e o Filho disse que sim. Mas eu não fui perguntado se eu desejava isto!’”.

sábado, 15 de abril de 2017

Sábado Santo, Dia de Maria, do Amor e da Vida

Rádio Vaticano (RV) - «Hoje, fazemos a experiência do vazio. O Senhor cumpriu sua missão nos redimindo, através de sua paixão e cruz, através de sua entrega até a morte. Na noite passada contemplamos o sepultamento de seu corpo.
Agora, nesta manhã de sábado, a saudade está presente, mas uma saudade cheia de paz e de esperança. 
Como Maria, com o coração em luto, a Igreja aguarda esperançosa, que a promessa do Cristo se cumpra, que ele surja, que ele ressuscite.
A ausência não é experiência do vazio, mas aprofunda a presença desejada.
Podemos recordar e refletir sobre os sábados santos de nossa vida, nossas experiências de vazio após sofrimentos e perdas.  
  Como vivenciamos esses mistérios dolorosos quando irromperam em nossa existência? Permitimos que luz da fé na certeza da vitória da Vida, iluminasse nossa mente e aquecesse nosso coração? Preenchemos esse vazio abrindo as portas de nosso coração a Jesus, Palavra de Vida, de Eternidade? Ou nos fragilizamos mais ainda, permitindo que a escuridão da morte nos envolvesse?
Jesus é Vida! Nossa Senhora, a verdadeira discípula, na manhã de sábado permaneceu, apesar da dor, do luto, esperançosa. Ela acreditou nas palavras de seu Filho e não permitiu que o sofrimento pela perda dissesse a última palavra, mas que a palavra definitiva seria a promessa de seu Filho, a própria Palavra, que disse que iria ressuscitar que ele era o Caminho, a Verdade, a Vida!

Divulgadas as músicas escolhidas para o Jubileu de Ouro da RCC em Roma

O Serviço Internacional da Renovação Carismática Católica (ICCRS) e a Fraternidade Católica das Comunidades e Associações Carismáticas de Aliança (CF) divulgaram nesta terça-feira (12/04) as músicas vencedoras do Concurso de Hinos para o Jubileu de Ouro da RCC.
Duas canções dividiram o primeiro lugar do concurso. As campeãs foram a música “Mother of Pentecost” (Mãe de Pentecostes), do brasileiro Thiago Lopes; e a música “Love incomparable” (Amor incomparável), de Master Plan, dos Emirados Árabes.  Foram divulgadas as 10 primeiras colocadas, entre elas, cinco de autores brasileiros.

O silêncio é o porteiro da vida interior

O silêncio não é somente a ausência de barulho
Muito me incomoda, em nossos tempos modernos, o barulho generalizado, ou seja, a falta de silêncio interior e exterior para podermos rezar, tomar decisões, escutar Deus, escutar a si mesmo e os outros. Outro dia, fui ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida e li, numa das colunas internas do local, o apelo: “Silêncio é também oração!”. Parece que, diante de tudo o que vivemos, é necessário falar o tempo todo. Pouco se faz silêncio, e um dos motivos, penso eu, é que, na verdade, nós temos medo do que vamos ouvir, por isso, o silêncio nos incomoda tanto. Também porque, nos tempos de hoje, não educamos as pessoas para ouvir, vivemos em meio a muita informação e pouca comunicação.
Antes mesmo de entrar no tema da oração, nos exercícios espirituais de conversão, percebo o quão necessário é silenciar.
Se a oração é diálogo, é fundamental que ela seja intercalada por profundos momentos de silêncio. Esse tem a função de abrir espaço para a Palavra do Senhor, Sua direção e Suas moções, mas também abre espaço para que ouçamos nós mesmos e os irmãos.

É preciso escutar, calar e ouvir
É verdade que o silêncio é imprescindível para rezar, mas não só para isso. Para qualquer diálogo, é preciso escutar, calar e ouvir o outro. Nós aprendemos a falar, porque escutamos nossos pais e irmãos falando, e começamos a dizer as primeiras palavras. É necessário escutar bem para falar bem e na hora certa. É necessário ouvir para aprender; silenciar para ter coragem de reconhecer o homem interior. É uma viagem tão pequena, que é feita da mente ao coração, mas temos um medo muito grande de realizá-la, porque não sabemos o que vamos encontrar lá. Outras vezes, até sabemos, mas não temos coragem de nos recolher no coração e nos deparar com alguns monstros bem conhecidos.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Texto completo da pregação da sexta-feira santa 2017, do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap.

Na Basílica de São Pedro, com a presença do Santo Padre Francisco
(ZENIT – Cidade do Vaticano, 14 Abr. 2017).- Pregação da sexta-feira santa de 2017, na Basílica de São Pedro

“O CRUX, AVE SPES UNICA”
A cruz, única esperança do mundo Escutamos a narrativa da Paixão de Cristo. Trata-se, essencialmente, do relato de uma morte violenta. Notícias de mortes, e mortes violentas, quase nunca faltam nos noticiários vespertinos. Também nestes últimos dias, temos escutado tais notícias, como a dos 38 cristãos coptas assassinados no Egito no Domingo de Ramos. Estas notícias se sucedem com tal rapidez, que nos fazem esquecer, a cada noite, as do dia anterior. Por que, então, após 2000 anos, o mundo ainda recorda, como se tivesse acontecido ontem, a morte de Cristo? É que esta morte mudou para sempre o rosto da morte; ela deu um novo sentido à morte de cada ser humano.
Sobre ela, reflitamos por um momento. “Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19, 33-34). No início do seu ministério, àqueles que lhe perguntavam com qual autoridade ele expulsava os vendedores do templo, Jesus disse: “Destruí este templo e em três dias eu o levantarei”. “Ele falava do templo do seu corpo” (Jo 2, 19. 21), havia comentado João naquela ocasião, e eis que agora o próprio evangelista nos diz que do lado deste templo “destruído” jorram água e sangue. É uma clara alusão à profecia de Ezequiel que falava do futuro templo de Deus, daquele lado do qual jorra um fio de água que se torna primeiro um riacho, depois um rio navegável, em torno do qual floresce toda forma de vida. Mas, penetremos no epicentro da fonte deste “rio de água viva” (Jo 7, 38), no coração trespassado de Cristo.