Entrevista com o professor Francesco DAndria, diretor da missão arqueológica que fez a descoberta
dia 3 de maio a Igreja celebra São Felipe e São Tiago menor.
Dois apóstolos ,que fizeram parte dos doze.
Renzo Allegri, jornalista italiano, diretor do jornal
Medjugorje Torino, entrevistou o professor D’Andria, da Puglia, formado
na Universidade Católica de Milão em Letras clássicas e especializado em
arqueologia pela Universidade de Salento-Lecce, que há trinta anos trabalha em
Hierápolis, buscando a tumba de São Filipe.
O tema da entrevista
foi a descoberta, realizada no verão do ano passado, onde encontrou-se em
Hierápolis, na Frigia, a Tumba do apóstolo São Filipe, fato que chamou a
atenção de estudiosos de todo o mundo.
Durante a entrevista
disse o professor que sobre São Filipe temos poucas notícias: “ Dos evangelhos
se sabe que era originário de Betsaida, no lago de Genezaré. Pertencia à
família de pescadores. João é o único dos quatro evangelistas que o cita várias
vezes”.
Sobre como e quando
morreu o apóstolo, o professor Francesco nos disse que a “maioria dos
documentos afirmam que Filipe morreu em Hierápolis, no ano 80 depois de Cristo,
quando tinha 85 anos. Morreu mártir pela sua fé, crucificado de cabeça para
baixo como São Pedro.” Foi o Papa Pelágio I, no sexto século, que transferiu
seus restos mortais a Roma, para uma Igreja construída para essa ocasião,
atualmente é a Igreja dos Santos Apóstolos, reformada no ano 1500.
As investigações sobre a
tumba de Filipe em Hierápolis começaram no ano de 1957, continua o professor,
dizendo que o mérito foi do Professor Paolo Verzone, apaixonado pela
arqueologia. A primeira grande descoberta foi uma igreja Bizantina do quinto
Século que o professor chegou a pensar que tinha sido construída sobre a tumba
do apóstolo Filipe, porém, várias escavações no local não tinham encontrado
mais nada.
“Eu mesmo pensava que a
tumba se encontrasse na região daquela Igreja” –afirma o professor – porém no
ano 2000 “quando me tornei diretor da missão arqueológica italiana de
Hierápolis sob concessão do ministério da Cultura da Turquia, mudei de
opinião”.
O professor disse ter
dirigido a sua atenção a outro ponto, sempre na mesma região. “Os meus
colaboradores e eu estudamos atentamente uma série de fotos de satélite da
região” – disse o D’Andria- e “entendemos que o Martyrion, a Igreja octonal,
era o centro de um complexo devocional mais amplo e articulado”. A colina toda
era um complexo preparado para acolher os peregrinos, até mesmo com uma parte
termal, para que os peregrinos se lavassem depois das suas longas viagens,
antes de visitarem a grande tumba do apóstolo Filipe.
No ano 2010, vieram à
luz algumas descobertas também que o levaram até a Tumba do apóstolo:
encontrou-se um tumba romana, do primeiro século depois de Cristo. Mas era uma
tumba que estava no centro da Igreja, ou seja, sem dúvida, com uma grandíssima
importância dada à ela pelos cristãos. No verão do 2011, depois
de encontrar uma escada muito consumida, tudo indicava que era pelo grande
afluxo de peregrinos naquela Igreja, que era um “extraordinário local de
peregrinação”, disse o professor. Na fachada também há muitos grafites nos muros,
com desenhos de cruzes, que sacralizaram de certa forma a tumba pagã.
“Mas a confirmação
principal de que aquela construção é realmente a tumba de São Filipe” – afirma
o professor D’Andria – é um pequeno objeto que se encontra no museu de Richmond
nos EUA”. “Trata-se de um selo em bronze com uns 10 centímetros de diâmetro,
que servia para autenticar o pão de São Filipe que era distribuído aos
peregrinos.”
Foram encontrados ícones
com a imagem de São Filipe com um grande pão na mão, assim como hoje temos o
Pão de Santo Antonio.
Portanto, no ícone
aparece desenhado, como uma autêntica fotografia de todo o complexo de então, e
tem levado a entender que a tumba se encontrava na Igreja basilical e não no
martyrion.
Por fim, afirmou o
professor Francesco que no dia “24 de novembro do ano passado, eu tive a honra
de apresentar a descoberta para a Pontifícia academia arqueológica de Roma
diante de estudiosos e representantes do Vaticano. Também o patriarca de
Constantinópoles, Bartolomeu, primaz da Igreja ortodoxa, quis receber-me para
ter detalhes da descoberta, e no dia 14 de novembro, festa de São Filipe para a
Igreja Ortodoxa, quis celebrar a Missa sobre a tumba reencontrada em
Hierápolis. E eu estava presente, emocionado como nunca estive, também porque
os cantos da liturgia grega ressoavam depois de dois mil anos entre as ruínas
da Igreja.
Fonte: Blo do
Carmadélio

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